Mais de 100 enterros de vítimas do incêndio na Boate Kiss foram realizados nesta segunda-feira (28) no Cemitério Ecumênico Municipal de Santa Maria. Por todos os lados, o adeus foi marcado por revolta e comoção dos parentes e amigos. As histórias são quase sempre de jovens na faixa de 20 anos e estudantes da universidade federal e tinham ido se divertir na casa noturna mais badalada da cidade. É difícil encontrar alguém em Santa Maria que não tenha perdido um amigo, parente ou conhecido na tragédia. Nos enterros, além de namoradas, mães, pais e irmãos inconformados, vizinhos e amigos demonstram perplexidade com o episódio. Pai de duas filhas com idades próximas às da maioria das vítimas, João Carlos Côvolo vai passar boa parte do dia acompanhando enterros no cemitério municipal. Além da consternação, a maioria das pessoas também se mostrava confusa com a profusão de boatos e notícias que correm pela cidade - de que não havia extintores de incêndio funcionando na boate e que os seguranças impediram a saída das pessoas por achar que se tratava de uma tentativa de não pagar a conta. A presidenta Dilma Roussef, que participava de encontro no Chile, retornou ao Brasil ainda no domingo (27) e visitou as vítimas que estão internadas bem como familiares dos que perderam a vida.
O empresário Mauro Hoffmann, um dos proprietários da boate Kiss que estava foragido, se entregou à polícia na tarde desta segunda-feira. Além de Hoffmann, foram detidos outro sócio da Kiss Elissandro Sphor, conhecido como Kiko, o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos, e Luciano Bonila, montador do palco. A suspeita de que os donos da boate Kiss e os integrantes da banda Gurizada Fandangueira adulteraram provas levou a Polícia Civil a pedir a prisão dos quatro envolvidos na tragédia. De acordo com a promotora Waleska Agostini, que se manifestou favorável às prisões, durante os depoimentos de testemunhas colhidos pelo polícia surgiram relatos de que os proprietários da casa, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, teriam dado ordens para mexer nas imagens colhidas pelas câmeras do circuito interno e na caixa registradora.
A Polícia Civil foi informada que os sistema de monitoramento da boate não estava funcionando há cerca de dois ou três meses. As imagens poderiam indicar, por exemplo, se os seguranças da casa realmente impediram a saída dos clientes quando começou o fogo. A caixa registradora mostraria quantas pessoas de fato estavam no local. A capacidade era de mil lugares, mas há suspeita de superlotação. Segundo o chefe de Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Ranolfo Vieira Júnior, um mandado de busca e apreensão foi emitido para que sejam recolhidas as imagens do circuito de câmeras do interior da boate. Os dois integrantes da banda presos também teriam poder para adulterar provas. Segundo a promotora, era Marcelo quem dava a ordem para Luciano disparar o artefato pirotécnico que deu origem ao incêndio.
As prisões foram decretadas pelo juiz de plantão, Régis Bertolini, ainda no domingo, e valem por cinco dias, podendo ser renovadas por outros cinco. (Agência Brasil)


