ICMBio e Secretaria de Meio Ambiente soltam cachorro-do-mato e macaco-prego no Parque Nacional da Tijuca
- ago 21, 2026
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Animais nativos da Mata Atlântica passaram por reabilitação veterinária após resgates por atropelamento e traumatismo craniano na Zona Sul e Floresta da Tijuca.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC), com o apoio da Clínica de Recuperação de Animais Silvestres da Universidade Estácio de Sá (CRAS Unesa), realizaram nesta quinta-feira (20) a soltura de um cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) e de uma fêmea de macaco-prego (Sapajus nigritus) no Parque Nacional da Tijuca. A ação encerra um ciclo de acolhimento que envolveu resgate, tratamento médico-veterinário e reabilitação de fauna silvestre.
O cachorro-do-mato é um macho adulto que foi atropelado na Estrada das Canoas, em São Conrado, em abril deste ano. O resgate foi efetuado no dia 9 daquele mês por um policial militar que passava pelo local, próximo aos limites da unidade de conservação. O animal foi encaminhado para a CRAS Unesa, em Vargem Pequena, onde recebeu tratamento para uma fratura na pata dianteira esquerda sob a responsabilidade do veterinário Jeferson Pires. Já a fêmea de macaco-prego deu entrada na clínica em julho, após ser resgatada na Floresta da Tijuca com quadro de traumatismo craniano, permanecendo em acompanhamento intensivo até a plena recuperação.
Foto: Luciana Sposito/Prefeitura do Rio | Foto: Matheus Janner/Prefeitura do Rio |
Logística, laudos e protocolos para soltura
Após a alta veterinária emitida pela CRAS Unesa, a Patrulha Ambiental da SMAC foi acionada para conduzir o procedimento de soltura. Como o Parque Nacional da Tijuca é uma unidade sob gestão federal, a secretaria solicitou autorização prévia ao ICMBio para a liberação dos exemplares nativos no ecossistema de origem.
"Fizemos a reintrodução na natureza de dois animais nativos. Para isso, precisamos de um laudo veterinário atestando que eles estão aptos para a soltura. A SMAC e o ICMBio trabalharam em conjunto para providenciar toda a documentação necessária. Como a soltura foi realizada em uma área sob administração federal, os laudos também são encaminhados ao Instituto", explicou a engenheira agrônoma Mariana Ribeiro, gerente da Patrulha Ambiental da SMAC.
O agente de fiscalização do ICMBio Gleidson Corrêa fez um alerta para que os condutores reduzam a velocidade nas vias que margeiam a mancha florestal da cidade, como São Conrado, Alto da Boa Vista e Paineiras:
"Essa é uma oportunidade para pedir mais atenção aos motoristas que circulam nas vias próximas a áreas verdes. Respeite o limite de velocidade dessas áreas para diminuir o número de atropelamentos de animais. Isso foi o que machucou o cachorro-do-mato. Os visitantes das Unidades de Conservação também ajudam quando não alimentam os bichos. Se os animais se mantêm ariscos, eles ficam longe das pessoas, que é o mais seguro para eles."
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Diretrizes e normas de manejo no Parque Nacional da Tijuca
O ICMBio destaca que a liberação de fauna em Unidades de Conservação exige o cumprimento de regras técnicas para preservar a segurança do ecossistema e dos próprios animais:
- Autorização Obrigatória: Nenhuma pessoa, ONG ou instituição de proteção animal está autorizada a realizar solturas no Parque Nacional da Tijuca sem avaliação e autorização expressa do ICMBio. A medida previne a proliferação de doenças e a introdução involuntária de espécies exóticas.
- Comportamento Selvagem: O espécime deve manter o comportamento arisco e hábitos naturais. Animais com sinais de domesticação ou habituação humana são encaminhados a Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), pois perdem a capacidade de sobrevivência autônoma na mata.
- Diferença entre Soltura e Reintrodução: A soltura é uma ação pontual de manejo focada no retorno do indivíduo recuperado ao seu habitat. A reintrodução (ou refaunação) é uma estratégia de biologia da conservação voltada para restabelecer espécies extintas localmente. Ambas as práticas ocorrem sob critérios rigorosos no parque.





