Titulares de cartório lideram ranking de patrimônio médio no Imposto de Renda 2026
- jul 05, 2026
Novos painéis estatísticos da Receita Federal revelam que tabeliães possuem bens de R$ 3,28 milhões em média; membros do Judiciário e diplomatas aparecem na sequência
Os titulares de cartório são os contribuintes com o maior patrimônio médio declarado no Imposto de Renda 2026, segundo os novos painéis estatísticos divulgados nesta quinta-feira (2) pela Receita Federal. Enquanto o patrimônio médio geral do brasileiro declarante ficou em R$ 409 mil, o montante registrado pelos profissionais de serventias extrajudiciais alcançou a expressiva marca de R$ 3,28 milhões.
Logo na sequência dos tabeliães, aparecem no topo da lista membros do Poder Judiciário e do Ministério Público, diplomatas, atletas profissionais e dirigentes empresariais, consolidando as ocupações com maior volume de bens declarados no país.
Os dados fazem parte de uma nova plataforma pública desenvolvida pela Receita Federal para dar transparência a estatísticas consolidadas das declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). Pela primeira vez na história, o órgão federal permite a consulta cruzada de informações por profissão, faixa de renda, patrimônio, estado, sexo, idade, raça e cor, mantendo a preservação integral do sigilo fiscal dos contribuintes.
O ranking do patrimônio médio por profissão
O levantamento detalha os valores médios de bens e direitos informados pelos contribuintes ao longo do ano passado e que foram consolidados na entrega do documento fiscal neste ano.
Confira o ranking das principais ocupações no topo da pirâmide patrimonial (dados base de 2025, declarados no Imposto de Renda 2026):
- Titulares de cartório: R$ 3,28 milhões;
- Membros do Poder Judiciário: R$ 2,93 milhões;
- Membros do Ministério Público: R$ 2,9 milhões;
- Diplomatas e afins: R$ 2,52 milhões;
- Atletas, desportistas e afins: R$ 1,71 milhão;
- Dirigente, presidente e diretor de empresa industrial: R$ 1,66 milhão;
- Produtor agropecuário: R$ 1,58 milhão.
Como funciona e quem é considerado nos painéis
As estatísticas unificadas reúnem dados extraídos diretamente das declarações do Imposto de Renda enviadas à Receita Federal. Todas as informações são exibidas exclusivamente sob a ótica estatística, sem qualquer tipo de exposição ou identificação individual de CPF.
A ferramenta permite ao usuário consultar indicadores específicos por unidades da Federação e cruzar filtros geográficos e demográficos. Para blindar a identidade dos cidadãos, a Receita Federal implementou um sistema de proteção em que as combinações de filtros detalhados só são geradas na tela se houver um número mínimo de declarantes naquela respectiva categoria.
É fundamental destacar que os painéis consideram apenas os contribuintes que preencheram e entregaram a declaração do IRPF. Dessa forma, as métricas divulgadas não representam a totalidade da população brasileira, já que a parcela de cidadãos dispensada da prestação de contas fica fora do banco de dados do órgão. No exercício de 2026, estavam obrigados a declarar, entre outros critérios de corte, os contribuintes que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 ao longo de 2025.
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Foco na transparência pública e perfil dos declarantes
Segundo o supervisor nacional do Imposto de Renda, José Carlos Fonseca, a abertura dessa base de dados representa um avanço importante. A divulgação amplia o acesso a informações úteis para pesquisadores, gestores públicos e toda a sociedade civil, sem comprometer o sigilo fiscal. A Receita Federal acrescenta que a plataforma servirá como subsídio científico para a elaboração de políticas públicas, estudos macroeconômicos e análises minuciosas sobre a dinâmica de tributação no território nacional.
O balanço final do órgão aponta que, em 2026, a Receita Federal recebeu o total de 44,498 milhões de declarações do Imposto de Renda, superando a meta inicial estipulada em 44 milhões.
Dentro desse universo de declarações processadas:
- 56,1% dos contribuintes têm direito a restituição de imposto;
- 23% resultaram em imposto a pagar ao Fisco;
- 21% fecharam o balanço sem saldo (isenção ou imposto zerado).
O relatório também indicou que 8,1% do volume total de documentos enviados correspondem a declarações retificadoras, utilizadas para corrigir falhas e evitar a malha fina. Os novos painéis estatísticos também trazem métricas sobre a adesão em massa à declaração pré-preenchida, o uso do modelo simplificado de desconto e diversos outros indicadores operacionais que ajudam a desenhar o raio-X fiscal do Brasil.



