A taxa de câmbio é considerada fator essencial para que o Brasil retome o patamar de 1 milhão de carros exportados por ano, registrado ao longo dos anos 2000, disse nesta segunda-feira (12) à Agência Brasil o coordenador do MBA em gestão estratégica de empresas da cadeia automotiva da Fundação Getulio Vargas (FGV), Antônio Jorge Martins. “É um patamar plenamente alcançável pela indústria automotiva brasileira". De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as exportações de autoveículos brasileiros caíram 40,9% no ano passado, totalizando 334.501 unidades, ante 566.299 em 2013. Jorge Martins acredita que a alteração que vai ocorrer no câmbio afetará positivamente o setor automotivo, “principalmente no que concerne à possibilidade de maior volume de exportações".
O coordenador do grupo de indústria e competitividade do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE-UFRJ), David Kupfer, salientou que, se a taxa cambial permanecer em torno de R$ 2,70, “é provável que as exportações retomem e possam cobrir um pedaço desse mercado interno que se contraiu ou estará contraído este ano". Martins preferiu não fazer prognósticos em relação à faixa ideal para o câmbio, tendo em vista que o nível de competitividade das empresas é diferente. “Para umas, pode ser R$ 2,90, para outras, R$ 3,10. É difícil falar do setor como um todo." Ele argumentou, porém, que quanto mais próxima de R$ 3 ficar a cotação do dólar, melhor para viabilizar as exportações.
Ele insistiu, entretanto, que a retomada das exportações vai ser fundamental para o setor automotivo, porque as empresas precisam abrir novos destinos de exportação, e não ficar restritas a determinados países na América do Sul. Martins citou estudos de grandes consultorias internacionais que indicam que a base Brasil, devido à experiência de mais de 50 anos do setor, poderá ser bem utilizada para a exportação, inclusive para o México e os Estados Unidos.
Para ele, já está claro para as montadoras que o mercado brasileiro por si não é suficiente. “Elas vão precisar de uma base de exportação para viabilizar a capacidade produtiva do nosso setor". Martins informou que é preciso que as matrizes permitam que essas exportações sejam efetuadas. Por isso, indicou que tem que haver pressão do governo, no sentido de fazer com que essas empresas, “além de atender ao mercado interno, consigam volume maior de exportações". (Agência Brasil)


