A arrecadação federal - que inclui impostos, contribuições federais e demais receitas, como os royalties - somou R$ 293,42 bilhões no primeiro trimestre deste ano, o que representa novo recorde histórico para este período, informou nesta segunda-feira (28) a Secretaria da Receita Federal. Sobre o mesmo período de 2013, ainda segundo dados oficiais, houve uma elevação real (acima da inflação) de 2,08%, informou o Fisco. Nos três primeiros meses do ano passado, a arrecadação somou R$ 290,15 bilhões (também em valores já atualizados pela inflação). Até o momento, o maior valor arrecadado no primeiro trimestre de um ano havia sido em 2012 - quando entraram R$ 291,55 bilhões nos cofres públicos. Em termos nominais - ou seja, sem a correção pela inflação dos valores arrecadados no mesmo período de 2013 -, a arrecadação cresceu R$ 21,69 bilhões nos três primeiros meses de 2014. Assim, o crescimento foi contabilizado com base no que efetivamente ingressou aos cofres da União.
De acordo com a Receita Federal, a arrecadação cresceu em 2014, atingindo um novo recorde no primeiro trimestre, mesmo com as desonerações de tributos anunciadas pelo governo nos últimos anos (folha de pagamentos, IPI de automóveis e cesta básica, entre outros), que tiveram o impacto de R$ 26,11 bilhões nesse período. Já nos três primeiros meses de 2013, o impacto das desonerações foi menor: R$ 16,19 bilhões. Apesar de ser a maior da história nos três primeiros meses de 2014, os números do Fisco mostram que a arrecadação não bateu recorde para meses de março. No mês passado, somou R$ 86,6 bilhões - com elevação real de 2,5% sobre o mesmo mês de 2013 (R$ 84,5 bilhões). Entretanto, ficou bem abaixo do mesmo mês de 2012, quando foram arrecadados R$ 93,19 bilhões - valores também já corrigidos pela inflação.
Segundo a Receita, alguns fatores explicam o crescimento da arrecadação no primeiro bimestre de 2014. Entre eles estão o crescimento da economia brasileira. Os dados mostram que, mesmo a produção industrial tendo ficado estável no período, as vendas de bens e serviços avançaram 3,95%, enquanto a massa salarial cresceu 9,92% e o valor em dólar das importações subiu 4,95%. O governo também arrecadou mais, neste ano, no Imposto Sobre Produtos Industriais do fumo. De acordo com a Receita Federal, houve "aumento expressivo" do volume de saída de cigarros, para o consumo, dos estabelecimentos produtores em relação ao mesmo período do ano passado.
Outro fator que influenciou para cima os valores que ingressaram nos cofres da União no primeiro trimestre deste ano foi a recomposição gradual do IPI de automóveis em relação ao mesmo período de 2013. Embora a alíquota tenha subido em janeiro deste ano, ainda permanece abaixo do patamar considerado "normal" pelo governo. A arrecadação deste tributo subiu 20,8% nos três primeiros meses deste ano.


