Baixada Fluminense ganha nova estação de tratamento de esgoto para beneficiar 270 mil pessoas
- jun 24, 2026
Com investimento de R$ 640 milhões da Águas do Rio, ETE Queimados vai tratar 51 milhões de litros de efluentes por dia e proteger a Bacia do Guandu.
A Baixada Fluminense deu um passo histórico rumo à universalização do saneamento básico nesta segunda-feira (22/06) com a inauguração da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Queimados. Construída pela concessionária Águas do Rio, empresa pertencente ao grupo Aegea, a unidade contou com o financiamento do programa Saneamento para Todos, do Ministério das Cidades, e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A nova estrutura tem capacidade operacional para tratar até 51 milhões de litros de esgoto por dia, abrangendo os municípios de Queimados, Japeri e porções estratégicas de Nova Iguaçu. A entrega resolve um passivo histórico de infraestrutura nas localidades que, até então, operavam sem nenhum tipo de sistema público de tratamento sanitário estruturado.
Impacto direto na saúde pública e na Bacia do Guandu
A operação da ETE Queimados reflete um marco para o bem-estar de cerca de 270 mil moradores da Baixada. Ao interceptar e tratar os efluentes que antes eram despejados de forma in natura nos corpos hídricos regionais, a unidade reduzirá de maneira imediata a carga de poluição na Bacia do Guandu, o principal manancial responsável pelo abastecimento de água potável de 9 milhões de cidadãos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Instalada em uma extensão de 38,4 mil metros quadrados nas proximidades do Rio Guandu, a planta industrial é parte de um pacote de investimentos de R$ 640 milhões focados na expansão das redes na região.
Em âmbito nacional, dados do Instituto Trata Brasil referentes a 2024 apontam que o país contabilizou 336 mil internações e aproximadamente 11,5 mil óbitos por doenças de veiculação hídrica, custando R$ 174 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS). O presidente da Águas do Rio, Anselmo Leal, ressaltou que a nova planta impactará positivamente esses indicadores locais:
“Em breve, as prefeituras de Queimados e Japeri vão conseguir medir nas unidades do SUS a redução de doenças típicas da falta de saneamento básico, como diarreias, hepatite e leptospirose”, afirmou Leal.
Foto: Divulgação/Águas do Rio |
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Parceria público-privada e expansão de redes
Em paralelo à edificação da usina de tratamento, a concessionária iniciou o assentamento de malhas coletoras em Japeri e Queimados. A engenharia do projeto prevê a implementação gradativa de um sistema integrado contendo 700 quilômetros de redes coletoras, 13,2 quilômetros de tubulações coletoras-tronco e mais de 60 estações elevatórias de bombeamento.
Para estruturar o ecossistema de universalização local, o Programa Saneamento para Todos, gerido pelo governo federal, aportou R$ 172,8 milhões. Presente na solenidade de inauguração, o Ministro das Cidades, Vladimir Lima, enfatizou o papel das parcerias estratégicas no setor:
“É importante a parceria com estados, prefeituras e concessionária. Só é possível fazer isso aqui acontecer a quatro mãos”, declarou o ministro.
O CEO da Aegea, Radamés Casseb, pontuou que o projeto simboliza uma virada de chave para o Rio de Janeiro. Segundo o executivo, a concessionária já injetou R$ 6,3 bilhões no estado em quase cinco anos de atuação e estima aplicar R$ 24 bilhões nas próximas fases contratuais:
“Essa entrega é um passo importante para a região, parte da jornada de universalização do saneamento. São investimentos que transformam a vida dos fluminenses com mais saúde e geração de emprego, ajudando também a recuperar os nossos mananciais. Esse trabalho é um símbolo do compromisso nacional da Aegea, que já atende quase 40 milhões de pessoas em todo o Brasil”, destacou Casseb.
Retorno econômico e o resgate da pesca no Guandu
Para além dos benefícios médicos e epidemiológicos, a despoluição dos afluentes renova as perspectivas econômicas de comunidades ribeirinhas que dependem economicamente do Rio Guandu. Priscila Amorim, cuja família atua na atividade pesqueira há gerações, relatou as dificuldades enfrentadas com a degradação ambiental progressiva do rio:
“Nós tivemos muita perda na renda familiar com a falta de peixes fortes, como a tilápia, o robalo e o tucunaré. Com a água livre de esgoto, a reprodução aumenta e o pescado volta com mais qualidade para garantir o nosso arroz e feijão”, desabafou a pescadora.
A solenidade contou ainda com a participação do secretário nacional de Saneamento Ambiental, Márcio Leão; do chefe do Departamento de Saneamento Ambiental do BNDES, Eduardo Nali; do presidente da Agenersa, Rafael Menezes; do secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Mascarenhas; da prefeita de Japeri, Dra. Fernanda Ontiveros; e do prefeito de Queimados, Glauco Kaizer.




